sexta-feira, 9 de julho de 2010

reformulação.

Por ocasião do aniversário do Polaroids and Cigarettes, todo o blog vai ser reformulado, aos poucos. Para já estou a começar pelas etiquetas que espero que se tornem mais fáceis de navegar. Até agora já agrupei todas as crónicas que existiam e pretendo agrupar os posts em grandes temas gerais para assim ser mais simples.

Hope you like it, e vão dando opiniões.

no mundo dos táxis (VIII)

Eu - Boa noite. Era para Corroios, se faz favor.
Taxista - Com certeza. Mas olhe que eu não sei onde isso é.
Eu - Não há problema. Depois de passarmos a ponte eu indico o caminho.

(...)

Taxista - Então e gosta de viver na Margem Sul?
Eu - Sinceramente? Nem por isso. Vivo primordialmente em Lisboa e só vou à Margem Sul dormir, quando vou.
Taxista - Mas vive sozinho?
Eu - Erm... Não. Vivo com a minha mãe.
Taxista - Ah, mas já não tem pai?
Eu - Bom, tenho. Mas estão divorciados.
Taxista - Compreendo. E já são velhos?
Eu - Um pouco. Daqui a pouco batem a bota.
Taxista - Ah, mas isso é óptimo!
Eu - Desculpe?
Taxista - Bom, não é óptimo falecerem, claro. Mas é que, sabe, o meu irmão é dono de uma casa funerária aí na Margem Sul e, bom, assim sendo, olhe, fique com um cartão dele. Nunca se sabe quando poderá vir a dar jeito! Diga que vem da minha parte e ele dá-lhe um desconto. Ele é muito simpático e os preços são em conta. Além disso, como os seus pais já são velhos e como ainda é jovem e acredito que ainda não ganha bem, ambos ficam a lucrar com isto. Mas diga-me, ainda tem avós?
Eu (completamente perplexo) - Erm... erm... erm... tenho somente uma.
Taxista - Ah, é pena. Os meus pêsames. Mas olhe, se só já tem uma e acredito que já deva ser muito velha, também está quase a esticar o pernil. Assim o cartão até lhe dá jeito!
Eu - Erm... erm... erm... obrigado, creio.

(...)

Eu - Ora, então deixe-me aqui. Quanto lhe devo?
Taxista - Ora, são X. Mas como foi simpático não incluo a portagem na conta. Fica por minha conta.
Eu (ri-se) - É um desconto de morte!
Taxista (muito sério) - Desculpe, mas não achei piada. Não se fala assim tão levianamente da morte! É um assunto muito sério! Adeus e boa noite.

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Pinturas estágio 3º

A Associação está, pela terceira vez desde que eu lá estou, em pinturas. Sinceramente já estou farto de pintar aquela porcaria. Arre porra que nunca mais acaba. Há sempre algo novo para pintar e, quando não há, constroem-se paredes que, antes de se pintarem, têm de ser lixadas o que dá cabo de um braço e de uma mão a qualquer mortal.

Bom, mas como em todas as pinturas naquela filha-da-mãe de Associação, há sempre uma música que se destaca. Em 2009, foi esta. A primeira vez de 2010 foi esta, muito graças à MC. Agora, temos esta, que, embora eu tente impingir, a L. não deixa porque lhe dá dores de cabeça. Vá-se lá perceber porquê. A I. gosta e isso basta-me.

uh!

Descobri que o número de posts em 2010 neste blog é inferior ao número de directas que já fiz este ano. Número que jamais será revelado.

A ver se mantenho este nível.

I thought I might just write a letter

I string the words together softly


Ponto de exclamação. 3 meses. Exclamativo, exuberante, irracional, ardente, galopante, doentio, irascível. Morte.

I lay my love upon you with each line

Ponto de interrogação. 3 meses. Questionável, distante. Questionou o início da oração. Não teve resposta. Interpelou o fim. Ainda hoje espera réplica.

A gift of improvising

Vírgula. 3 meses. Pausa célere. Diferença de orações. Previsível na continuação da frase.

Removes me from revising

Ponto. 3 meses. Acabou o parágrafo. Rasga a folha. Queima o discurso. Muda. Transforma. Deturpa. Novo pensamento. Renasce. Morre novamente.

I made a daisy chain from
Phrase, verse, and punctuation

quarta-feira, 16 de junho de 2010

blogs (II) (or "happy birthday to polaroids and cigarettes" version).

Abri este blog fez ontem 1 ano com uma música de beirut, nomeadamente a elephant gun. Para comemorar, lanço aqui outra música:




(só mesmo para continuar na onda de músicas optimistas para isto não ser um blog deprimente)

blogs.

As pessoas (por "pessoas" entendam-se génios super entendidos que vêm falar para a televisão e cujos fatos comprados na Armani nunca conjugam com as gravatas) costumam dizer que os blogs só têm razão de ser e importância para quem o escreve.

Gosto de pensar que é ao contrário. Até ver, claro.

no mundo dos táxis (VII)

Eu - Boa noite.
Taxista - Boa noite.
Eu - Era para, erm... olhe, leve-me para a Rua Sampaio Bruno, por favor.
Taxista - Tudo bem.
Eu - (*recebe um telefonema da L.) Então, tudo bem?
Taxista - (*não se apercebendo que eu estava ao telefone*) Bom, já tive dias melhores. E o senhor?
Eu - (*ainda ao telefone*) Olha, não sei. Mal, acho eu.
Taxista - Então, mas passa-se algo?
Eu - (*telefone*) Oh, sei lá, foi tudo tão rápido, tão inesperado. Sinceramente não estava mesmo nada à espera.
Taxista - Mas... quer falar?
Eu - (*telefone*) Oh sei lá. Só sei que fiquei completamente perplexo. Epá, podia-me ter dito muitas coisas: que estava farto de mim, que não aguentava com a vida que levo, que gostava de outra pessoa. Mas dizer-me que já não gostava de mim? Toda a gente diria que era ao contrário, no máximo. Não estava mesmo nada à espera disto dele.
Taxista - Dele? Ah, portanto, é "desses". Bom, eu não julgo. Sabe, eu tenho uma filha que também é...
Eu - (*telefone*) Pois está claro, mas estavas à espera do quê? Não se via logo?
Taxista - Bom, agora que fala nisso até se repara um bocadinho. Não que queira ofender, claro.
Eu - (*telefone*) Espera aí querida (*retira o telefone e fala para o taxista*) Ouça, eu não sei como lhe hei-de dizer isto de uma forma simpática mas, bom, eu não estava a falar consigo. Estava ao telefone.
Taxista - Ah. Pois. Desculpe...
Eu - (*volta a falar para o telefone*) Onde estávamos mesmo?

terça-feira, 8 de junho de 2010

strange among humans (II).

(no autocarro, a caminho do comboio)

Ela 1 - Olá querida, está boa?
Ela 2 - Olá! Há tanto tempo... que é feito?
Ela 1 - Nada de especial. Trabalho, trabalho, casa, casa, marido, marido.
Ela 2 - Como eu a compreendo. Olhe, acabei com o #$%&$#.
Ela 1 (nitidamente embaraçada) - Então mas porquê? Ele era bastante simpático até.
Ela 2 - Traiu-me.
Ela 1 (ainda mais embaraçada) - Então mas como soube isso?
Ela 2 - Telefonaram-me, por chamada anónima.
Ela 1 (quase a gaguejar) - E sabe quem foi a galdéria?
Ela 2 - Não. Apenas disseram que me traia. Confrontei-o e ele admitiu, mas não me disse quem foi.
Ela 1 - Se calhar é melhor assim. Agora é esquecer e avançar na vida.
Ela 2 - Sim, tem toda a razão.

(*momento de pausa*)

Ela 1 - Então e o ...
Ela 2 (interrompe) - ... Eu sei que foste tu que o andaste a comer, cabra.

há várias coisas que me aborrecem, nomeadamente:

1 - Deixar de se falar da Maddie.
Mas porquê? Para onde foi o drama? Aquilo era demasiado bom. É que nem a Agatha Christie escreveria um policial tão bom.

2 - Não ter sido a música do Pingo Doce como música para o Festival da Eurovisão.
É que era desta que ganhávamos.

3 - Ter-se deixado de falar da possibilidade da Lady Gaga ser hermafrodita.
Das duas uma: ou ela tem duas genitálias ou então não percebo aquele nariz dela combinado com aquele cabelo.

4 - E o Bibi, ainda é vivo?
Olha que ele já não caminha para novo.

5 - Não perceber o porquê dos medicamentos terem sempre nomes demasiado estranhos.
Ben-u-ron? Really? Já agora Nicolau II, ou não? Não seria mais simplesmente chamá-lo "comprimido que tira a febre e, eventualmente, algumas dores e no caso específico do Marlon permite alucinações com coelhos em cima de professores de estatística ou do Monstro das Bolachas em plenos seminários".

6 - Não ouvir nenhum escândalo do Sócrates.
É que repare-se: é isso, ou ouvir que vamos todos morrer com Kwashiorkor devido à subnutrição. Valha-nos a malária que os gregos têm para além de nós.

7 - Continuar sem perceber o que é Ecologia Humana ao fim de um semestre sobre isso.
Mantenho-me que é a capacidade de usar bosta humana para mover carros.

8 - Ainda hoje não conseguir pronunciar Eyja*qualquer coisa*kull.
Também conhecido por filho-da-puta-do-vulcão-que-decidiu-produzir-cinzas-quão-modalidade-olímpica-de-traques-e-que-paralisou-a-merda-do-espaço-aéreo-europeu.

9 - Deixar de saber onde anda o Bush.
Perdeu-se um grande Presidente dos E.U.A. com capacidades metafóricas tão boas como "why can't men and fish coexist peacefully?". Isto é de homem que sabe o que diz.

10 - Deixar de ver o aspecto degradante da Britney Spears e a sua vagina.
O mundo precisa de saber que alguém fica com pior aspecto que ele quando decide ir sair para o Bairro/Trumps/Meter-se nos portos tónicos até cair para o lado.