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quinta-feira, 11 de novembro de 2010

para recordar (XVII)

Eu - Não conseguiria ter uma cama assim no meio do quarto!
Ele - Porquê? Caías da cama?
Eu - Também. Mas com uma cama encostada à parede posso acumular lá livros, roupa e outra porcaria.
Ele - E arrumares?
Eu - Não. Acabo por me agarrar aos livros e à roupa e penso que estou a dormir acompanhado. Passo melhor as noites assim.

(isto foi simplesmente triste)

sexta-feira, 23 de julho de 2010

para recordar (XVI)

Ela (aos berros da cozinha) - Marlon!
Eu (aos berros do WC com o chuveiro ligado) - Siiiimmmm?
Ela - Anda cá.
Eu - Não posso, estou a lavar a casota para dar à L.
Ela - Ok, então eu digo da cozinha. Olha, comprei-te uns boxers!
Eu (ainda aos berros) - Ai sim? E são giros?
Ela (ainda mais aos berros) - Sim, são justos para ficares todo apertadinho aí em baixo.

(*som do chuveiro a cair no chão*)

Ela - Que caiu?
Eu - Neste momento? A minha dignidade.

para recordar (XV)

Ela - Vá, diz-me a sério, porque precisas de dinheiro? Meteste-te nalguma coisa que não devias?
Eu (com ar chateado) - Ai mãe, já disse que não. Simplesmente tiraram-me o dinheiro de Paris que não estava à espera e fiquei com a conta a descoberto.
Ela (com ar condescendente) - Sabes bem que me podes contar...
Eu (com ar muito sério) - Ok, então eu digo a verdade. Se queres saber ando a vender armamento russo e aquilo deu para o torto.
Ela - Se vendesses armamento russo estarias rico e não a pedir-me dinheiro.
Eu - Tens razão, descobriste-me. Pois a verdade é que ando a traficar marfim da África Subsariana.
Ela - Isso não porque tu gostas demasiado de animais.
Eu (cada vez com menos ideias) - Erm... trafico heroína?
Ela - Por favor... Aí também estarias rico!
Eu (tentando ter piada) - Ok, então a verdade verdadinha, é que eu sou prostituto às noites e estou a dever dinheiro ao meu chulo. E assim se explica o porquê de eu raramente vir dormir a casa.
Ela (rindo-se descontroladamente) - Sim, claro.
Eu (com ar chateado) - Ora, porque te ris?
Ela - Ó filho, tu parvo como és nunca poderias ser prostituto. Esquecias-te sempre de cobrar.

domingo, 30 de maio de 2010

para recordar (XIV)

Eu - Pagas-me um café?
Ela 1 - Está bem. Vamos lá beber um.
Eu - Óptimo.
Ela 1 - Então e já conhece o meu filho?
Eu (*sussurrando*) - Um dia eu e tu temos que ter uma conversa sobre esta tua mania de me apresentares a toda a gente.
Ela 2 - Ah, este é que é o seu filho?
Ela 1 - Se não os trocaram na maternidade, então sim.
Eu (*sussurrando*) - Ou se não fui comprado a um casal de ciganos, ou se não fui encontrado num balde do lixo...
Ela 2 - Então este não.
Eu (*rindo-me*) - Ah malandra. Tens outro filho que não me apresentaste?
Ela 1 - Não, este é o meu único filho.
Eu (*sussurrando*) - Isso, diz exactamente isso em vésperas da minha irmã chegar.
Ela 2 - Não pode, o outro que eu vi, de costas, era bastante mais novo. Tinha ar de ter uns 20 anos.
Eu (*sussurando*) - Se eu ganhasse um euro por casa vez que me dão mais idade do que aquela que tenho...
Ela 2 - Era este. Ele agora está com a barba grande e parece mais velho.
Eu (*sussurrando*) - Ora aqui está outra frase com a qual enriqueceria.
Ela 1 - Mas é bonito, então.
Ela 2 - É não é?
Eu (*sussurrando*) - E agora é a parte em que diz que saio ao meu pai...
Ela 1 - É tal e qual o pai dele...
Eu (*sussurrando*) - Agora vai falar da minha inteligência...
Ela 1 - E é muito inteligente!
Eu (*sussurrando*) - ... e de como nunca passo tempo em casa.
Ela 1 - Mas o malandro é um vadio! Nunca passa tempo em casa.
Eu (*sussurrando*) - Estou a estranhar ainda não ter dito nada sobre ir trabalhar.
Ela 1 - Bom, vou voltar para o trabalho.
Eu (*parte-se a rir*) - Ai, que bom.
Ela 1 - Ouve lá, mas estás-te a rir do quê?
Eu - De quão estúpido sou. Deveria ter jogado no euromilhões. Acho que teria ganho.

domingo, 9 de maio de 2010

para recordar (XIII)

«Ela - Então e já conhece o meu filho?
Eu (nitidamente pouco à vontade) - Mãe...
Ele - Não não. Mas não é o Marlon Brando, pois não?
Eu - *arfa* Não não. Seria um pouco complicado tendo em conta que ele já morreu.
Ele - Sim, mas ainda o viu. Tem o quê? 24 anos?
Eu (engasga-se a beber o café) - NÃO!
Ele - Desculpe. Eu tenho a mania de tirar anos às pessoas. 26?
Eu - NÃO!!!
Ele - Ok, desculpe-me mas não tem mais que 27.
Eu - Erm... eu tenho 21 anos acabados de fazer.
Ele - Ah.
Eu - Pois...
Ele - Ah.
Eu - Exacto.
Ele - Estou um pouco embaraçado.»

segunda-feira, 3 de maio de 2010

para recordar (XII)

(a passear pelo Parque Eduardo VII)

«Ela - Olha, um dálmata.
Eu - Oh, c'mon. De todos os cães que podiam aparecer aqui tinha mesmo que ser um dálmata?
Dona do cão - PONGO, ANDA CÁ.
Eu - OH C'MONNN. Isto já é o karma a gozar comigo.
Criancinha a passear - Mãe, mãe. Olha o hipopótamo que te desenhei.
Eu - Desisto. Simplesmente desisto.»

Isto tudo tem história. Juro que tem.

terça-feira, 16 de março de 2010

para recordar (XI)

Ela: Então e ouvi dizer que é Presidente da Direcção da Associação.
Eu: Sim, entre outras coisas.
Ela: Que coisas?
Eu: Bom, sou também Presidente do Conselho Fiscal de uma Federação, bolseiro de investigação, estou aqui a fazer o estágio e, bom, sou estudante. Ah, e sou administrador predial.
Ela: Isso é que é o pior. Já fui uma vez e não me pagavam as quotas.
Eu: Been there done that. E o que fez para resolver isso? É que eu já tentei de tudo...
Ela: Mudei de prédio.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

para recordar (X)

Eu - É verdade, vou vestido à Navegante da Lua.
Ela - Agora só falta um mascarado.
Eu - Sim, já me imagino no bar a gritar em voz estridente "GONÇALOOOOOOOO".
*pausa*
Eu - Oh, the irony.

para recordar (IX)

Eu - Epá, hoje tive um dia de merda. Tudo me correu mal, desde partir atacadores, perder autocarros enquanto chovia a potes, ir contra postes, chegar atrasado a coisas importantes, apanhar funcionárias incompetentes e tropeçar no chão e cair na lama.
Ela - Não te preocupes. Hoje fiz-te uma sobremesa especial. Vais adorar!
Eu - Óptimo! O que é?
Ela - *escorrega e deixa cair o prato em cima da minha cara* Oh!
Eu - *enquanto me limpo* Ah, são morangos. Que bom.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

para recordar (VIII).

Ele - Como estás?
Eu - Estou bem.
Ele - Não. Como estás, mesmo?
Eu - Erm, estou bem, juro.
Ele - M., eu conheço-te. Como estás?
Eu - Para ser sincero estou na merda. Tenho demasiados exames, demasiados trabalhos, demasiado trabalho fora da faculdade, pouca vida social e a nível amoroso também não ando o suprassumo da barbatana. E ando tão stressado que, ao andar na rua, só me visualizo a esmagar crânios.
Ele - Certo... eu estava mesmo a perguntar como andavas de saúde.
Eu - Ah! Isso? Estou bem.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

para recordar (VII).

Eu - Mãe, por acaso não queres tirar daqui as plantinhas do chá preto e fazeres-me um, enquanto eu vou tomar um banho?
Ela - Que remédio! Quem me mandou ter um filho aos 37 anos?
Eu - Ora aí está uma coisa bem dita.
Ela - E eu bem que não queria.
Eu - Mas admite, quando eu nasci viste a minha cara bonita e ficaste logo apaixonada.
Ela - Quando nasceste vi a tua placenta e vomitei-me.

domingo, 3 de janeiro de 2010

para recordar (VI).

Eu - Não estou a gostar de 2010.
Ela - Porquê?
Eu - Estou na quarta década que presencio. Sinto-me velho.
Ela - Mas estás parvo?
Eu - Não. Repara: daqui a pouco tempo vou assentar, casar, ter três filhos e um peixinho dourado!
Ela - Desculpa?!
Eu - Não critiques. Filmes da época natalícia aumentam-me a febre paternalista.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

para recordar (V)

Eu (ao telefone com a minha chefe) - Estou? Olá Doutora M. Como está? Pois olhe, eu não estou muito bem. Aparentemente dei um jeito na coluna hoje de manhã e acho que não vou conseguir ir trabalhar. Pois, eu sei que é pena. Já não dá para falar com a I. para me substituir? Mas porquê? Ah, compreendo, ela está a trabalhar no golfe hoje. Pois é. Que chatice. Bom, eu posso sempre enfrascar-me em analgésicos e relaxantes musculares e ir trabalhar. O quê, a Doutora cobre o trabalho por mim? E quanto à remuneração? Não me retira nada? Ah Doutora, mas isso é fabuloso. Obrigado por tudo. É um anjinho de pessoa! Adeus e obrigado.
Eu - A., diz aí ao pessoal que sempre posso ir ao concerto hoje.


[Edit: Garanto que nunca mais faltei a um dia de trabalho em toda a minha vida. Nem quando estive realmente doente]

para recordar (IV)

Ele - Boa tarde, a quem é que me posso dirigir para fazer uma queixa por falta de atendimento neste estabelecimento? Ando há três horas para falar com o recepcionista e não o encontro!
Eu - Pode falar comigo.
Ele - E quem é o senhor?
Eu - Sou o recepcionista deste estabelecimento e o responsável pelo atendimento. E entrei há 5 horas no trabalho.

para recordar (III) *

Ela - Boa tarde, fala a §€£§. Em que posso ser útil?
Eu - Boa tarde, gostaria de obter informações sobre a instalação do modem que adquiri.
Ela - Certo. Com quem tenho o prazer de estar a falar?
Eu - Marlon Francisco.
Ela - Desculpe?
Eu - Marlon Francisco.
Ela - Certo senhor Mário.
Eu - Não. Marlon Francisco.
Ela - Compreendo senhor Marco.
Eu - Não. Eu sei que é difícil, mas tente: Marlon Francisco.
Ela - Senhor Rúben?
Eu - Erm. Isso parece-se com Marlon?
Ela - Senhor Mar, erm, Marc, erm, M, erm.... senhor Francisco.
Eu - Pode ser.

*ao telefone

para recordar (II) *

Eu - Boa noite. Era para encomendar três pizzas da promoção de cada pizza com um ingrediente a 5€.
Ela - Sim senhora. Morada?
Eu - Avenida de Berna, 26-C.
Ela - Muito bem. Quais são as pizzas?
Eu - Uma de extra queijo, outra de cogumelos e uma de ananás.
Ela - Em que nome é que fica?
Eu - Marlon Francisco.
Ela - Marta?
Eu - Marlon.
Ela - Francisca?
Eu - Francisco. Marlon Francisco.
Ela - Marta Francisca?

*ao telefone

para recordar (I).

Eu - Está a chover demasiado. Não consigo ir para a rua com este temporal. Faço assim, vou-me vestindo e calçando e quando a chuva acalmar tu chamas-me para eu ir com a cadela à rua, ok?
Ela - Ok, chefe.
Eu - Ok, então vou para o meu quarto e fico na cama a ver televisão até gritares por mim.
Ela - Está certo.
Eu - Então até já.
Ela - Mas estás parvo? Nem penses que te deixo ir para a rua com esta chuva!