Vou coser as pálpebras de amianto com uma finíssima agulha de fogo, flexível, para não deixar cicatriz na bainha azul das palavras, vou dormir abandonadamente sem tirar os óculos escuros que me defendem contra o mundo, e no abismo das insónias reinventar-te-ei.
«Em todas as ruas te encontro Em todas as ruas te perco conheço tão bem o teu corpo sonhei tanto a tua figura que é de olhos fechados que eu ando a limitar a tua altura e bebo a água e sorvo o ar que te atravessou a cintura tanto, tão perto, tão real que o meu corpo se transfigura e toca o seu próprio elemento num corpo que já não é seu num rio que desapareceu onde um braço teu me procura
Em todas as ruas te encontro Em todas as ruas te perco»
«La morale pose un problème analogue mais plus urgent; car si nous pouvons nous désintéresser de la connaissance du monde, nous ne pouvons éviter d'agir.»