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domingo, 22 de novembro de 2009

e fui tropeçando nos cadáveres do mundo

lambendo-os amando-os sem outra preocupação que a de viver neles apaixonadamente / e cada um deles era o prolongamento de meus gestos indecisos

Al Berto, O Medo.

nervokid esfrega o coral dos olhos ensonados, murmura:

Vou coser as pálpebras de amianto com uma finíssima agulha de fogo, flexível, para não deixar cicatriz na bainha azul das palavras, vou dormir abandonadamente sem tirar os óculos escuros que me defendem contra o mundo, e no abismo das insónias reinventar-te-ei.


Al Berto, O Medo.

domingo, 21 de junho de 2009

em todas as ruas te encontro.

«Em todas as ruas te encontro
Em todas as ruas te perco
conheço tão bem o teu corpo
sonhei tanto a tua figura
que é de olhos fechados que eu ando
a limitar a tua altura
e bebo a água e sorvo o ar
que te atravessou a cintura
tanto, tão perto, tão real
que o meu corpo se transfigura
e toca o seu próprio elemento
num corpo que já não é seu
num rio que desapareceu
onde um braço teu me procura

Em todas as ruas te encontro
Em todas as ruas te perco»

Mário Cesariny

terça-feira, 16 de junho de 2009

obnoxiously apathetic.

«La morale pose un problème analogue mais plus urgent; car si nous pouvons nous désintéresser de la connaissance du monde, nous ne pouvons éviter d'agir.»

Paul Foulquié - L'existentialisme

segunda-feira, 15 de junho de 2009

um adeus português.

«Nesta curva tão terna e lancinante
que vai ser que já é o teu desaparecimento
digo-te adeus
e como um adolescente
tropeço de ternura
por ti.»

Alexandre O'Neill